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No dia 2 de setembro de 2009, o DaBaseFC apresentou o currículo de Dado Cavalcanti, que dias antes havia sido confirmado no comando do time do Santa para a Copa PE.
Era um ex-atleta formado pelo próprio Santa, que estava acumulando a coordenação da base e os juniores corais. Mais da base impossível.
Ao lado de outros profissionais também oriundos dos juniores, como o assistente Wilton Bezerra, Dado ajudou o Santa a ganhar a Copa PE.
Pesou a pouca experiência no profissional para ser mantido para o Estadual. Ficou como assistente de Lori Sandri.
Numa das reviravoltas do futebol, Dado volta a treinar o profissional. Desta vez, com um grau de pressão e dificuldade bem maiores.
Diante do Ypiranga, mostrou a quem duvidava que tem personalidade. Ao contrário do que fazem os interinos, mexeu na escalação de antecessor.
Tornou o time ofensivo e mesmo com um frangaço do seu goleiro aos 30 segundos de jogo, passou tranquilidade à sua equipe.
Mexeu no segundo tempo com ousadia, tirando um zagueiro e colocando um meia ofensivo. Conseguiu o empate. A vitória não veio por causa do árbitro.
Embora muitos olhem com desconfiança, Dado reúne experiências de campo, literalmente falando, e conhecimento acadêmico.
Mostrou que tem domínio do grupo, controle emocional. E é o nome mais indicado para assumir o Santa no momento.
Se a crise é o melhor momento para se descobrir novas soluções, o Santa Cruz, ao menos, tem uma chance de sucesso.
Não dava mais para ficar repetindo as surradas e velhas fórmulas.
Se apostar no profissional da casa é uma necessidade e não uma opção, a história não vai querer saber.
Boa sorte a Dado, a Wilton e aos demais profissionais que tentam escrever na história do clube um recomeço vindo da base.
Ótima entrevista do espanhol Rafael Benitez, técnico do Liverpool, publicada no site Universidade do Futebol.
Entrevista: Rafael Benitez – terceira parte
Espanhol que comanda o Liverpool fala sobre planejamento de treino, sistema tático, plataformas de jogo e dá dica aos treinadores mais jovens
Equipe Universidade do Futebol
Nesta terceira parte da entrevista concedida pelo treinador espanhol Rafael Benítez, encaminhada ao público brasileiro a partir de uma parceria entre a revista Soccer Coaching International e a Universidade do Futebol, entraremos definitivamente nos aspectos de treinamento preferidos e desenvolvidos pelo comandante da tradicional agremiação inglesa.
Além de falar sobre o planejamento de seus treinos e como conduz o período prévio de uma temporada européia, o manager dos Reds indica a plataforma tática delineada em Anfield Road a partir de uma realidade local. Bem diferente da época de Valencia, no início dos anos 2000.
“O estilo típico de se jogar na Inglaterra é o 4-4-2. Às vezes, você tem que saber a tradição e tem que jogar nesse sentido. Depois de dois ou três anos, você pode indicar jogadores que entendem outro sistema, mas no começo, nós tentamos usar o sistema com o qual eles estão familiarizados”, explicou Benítez.
“Nós temos um plano no começo da temporada. Ele é um pouco parecido todo ano, mas sempre pode mudar baseado no time que você tem e nas coisas que você vê nos jogos. Nós também temos um plano na parte física. Mas, o mais importante é o plano tático, porque depois de cada jogo, você tem que mudar alguma coisa”, enumerou.
A exemplificação de Rafa se dá desta forma: caso haja a proposta de um treino de marcação por pressão e se observam problemas no time para tal execução, pensa-se em uma forma de realizar mais atividades nesse quesito.
Dentro do plano estratégico, ao lado dos 20 profissionais que o cercam na comissão técnica, o treinador busca, sempre que possível, inserir o máximo de aspectos do jogo, cobrindo por todos os lados o “ano oficial do futebol”.
“Nós fazemos pequenos jogos, mas não temos nada novo para oferecer aos técnicos”, limitou-se a dizer, com modéstia, Benítez. “Nós não podemos dizer que é a minha função, mas isso não é verdade. Todos aprendemos por muitos anos e todos nós aprendemos com diferentes pessoas”.
Benítez foi questionado sobre o estilo de comando e condução do grupo de jogadores. A publicação holandesa se pautou em dois referenciais “compatriotas”: Leo Beenhakker e Louis van Gaal.
Don Leo treinou a equipe de seu país na Copa do Mundo de 1990 e na Eurocopa de 1992. Além disso, acumulou passagens por Ajax e Feyenoord, pelo Real Madrid e pelos selecionados de Trinidad e Tobago e Polônia. O lema desse gerente de pessoas em relação aos seus comandados: “deixe-os sentir confortáveis”.
Já Van Gaal adota um tratamento mais direcionado ao jogo, sem se apegar muito ao atleta, especificamente. Ex-jogador e atual treinador do Bayern de Munique, nunca obteve grande destaque na primeira função.
Na chefia da comissão técnica, faturou a Copa da Uefa e a Liga dos Campeões com o Ajax e o bicampeonato espanhol com o Barcelona. Como Benítez se auto-critica, em um paralelo com esses dois? Basicamente um misto.
“Equilíbrio é a chave. Você tem que achar o equilíbrio correto, mas eu acredito que isso também depende da personalidade do técnico. Por exemplo, como um treinador de goleiros, a relação com os jogadores é tão importante quanto ter muito mais contato individual com eles. Além disso, você tem que pensar que, como treinador, você não pode mudar muitas coisas. O jogador também tem que ter personalidade para entender como fazer certas ações para realizar o trabalho. Como treinador, você tem que entender a personalidade para entender os jogadores, também”, definiu o espanhol.
Na Premier League, competição em que os atletas são muito fortes e há um embate físico e constante entre os mesmos, a maneira com que a comissão técnica do Liverpool lida no processo de contratação é indicando nomes que possam competir dentro dessas circunstâncias.
“No primeiro ano [2004], nós terminamos em quinto lugar no Campeonato Inglês e vencemos a Champions League, mas nós éramos muito fortes na zaga. No segundo ano, indicamos Crouch e Reina – então nós nos tornamos mais fortes fisicamente ainda para poder jogar na Premier League”, relembrou Rafa. “Se você enfrenta um time pequeno que é muito agressivo, você não pode jogar a bola para trás: tem que atuar com bolas longas e ganhar as segundas bolas. Mas isso é muito diferente se você joga com o Arsenal, por exemplo”.
Para chegar próximo ao ponto ideal, a pré-temporada tem uma relevância muito grande nas mais diversas variáveis técnicas e físicas. Benítez busca com seu staff praticar todos os aspectos do jogo. E mais: tenta explicar para os jogadores quais são as bases desse jogo pretendido.
“Nós tentamos explicar quando devem permanecer onde estão, quando devem pressionar. Quando tentamos treinar um contra-ataque, por exemplo, no qual o time tem que jogar rapidamente, definimos exercícios em que os jogadores tenham que tocar a bola com mais precisão e de modo mais acelerado. Isso é simples. Mas, atualmente, existe o problema de que os jogadores têm muitas coisas para controlar”, apontou o comandante.
Ele se refere ao desgaste emocional e temporal dentro de um calendário apertado, com muitos compromissos oficiais importantes. “Às vezes, quando você joga duas partidas na semana, você não tem tempo para praticar tudo isso. Portanto, a pré-temporada é um dos períodos mais importantes da temporada para o treinador”, completou Benítez, que realiza muitos jogos de posse de bola com o objetivo de conseguir realizar o passe: uma característica marcante de seu Liverpool.
No time que geralmente se defende bem, em um 2-4-4, cuja marcação intermediária ofensiva balanceia horizontalmente acompanhando a movimentação da bola e forma triângulos defensivos para pressionar o rival do setor que tiver a posse da bola, o nível de concentração é muito elevado. Indubitavelmente, ali há o dedo do espanhol que completa nesta temporada 22 anos de carreira como treinador.
“Você precisa ter paixão e só tem que trabalhar duro. Se tiver talento e trabalhar duro, no final, você terminará no topo. Se você não é bom o bastante, mas trabalha duro, ainda pode chegar a um bom nível. Mas se você é realmente bom e não trabalha duro ou não tem paixão, é claro que ainda há chance de se fazer isso, mas dificilmente alcançará o topo”, finalizou Benítez.
Fonte: Soccer Coaching International – www.soccercoachinginternational.com

Dado Cavalcanti
Twiteiro asíduo, o presidente do Santa, FBC, aprendeu bem a usar o microblog. Tudo sobre política, economia e Santa Cruz, ele manda ver no Twitter.
Nesta segunda pela manhã, FBC rasga justos elogios a Dado Cavalcanti, técnico campeão da Copa PE, apostando na sua importância ao lado de Lori Sandri para 2010.
Não sei se por estratégia, mas a composição Lori/Dado foi bem articulada.
Um cara extremamente rodado, tido por onde passou como decente, íntegro, e que conhece de futebol.
Ao lado, um jovem profissional, que entende do traçado e conhece como ninguém grande parte do grupo que estará no Arruda em 2010.
O ex-técnico da base coral só tem a ganhar. Em primeiro lugar, em experiência. Lori tem bagagem de sobra a repassar.
Em segundo, porque não ficará exposto às pauladas da torcida e imprensa no caso de um início turbulento.
Se fosse mantido como treinador, Dado perderia a simpatia dos torcedores num estalar de dedos quando as vitórias demorassem a aparecer.
Em caso de sucesso da parceria, Dado continua fortalecido e virtual sucessor de Lori mais na frente.
Em caso de fracasso, Lori sairia e Dado seria o candidato número 1 para assumir.
Após um ano de muita dificuldade e condições de trabalho longe das ideais, a base coral fecha temporada com boas revelações para o profissional.
Dentro de campo com Éverton Sena, Jefferson e Natan. Do lado de fora, com Dado.
Também faz parte do objetivo do DaBaseFC repassar informações e bons textos de blogs e sites.
Segue abaixo um do Universidade do Futebol (www.universidadedofutebol.com.br), site que trata o futebol a partir de diversas áreas acadêmicas.
Um endereço que todo profissional que trabalha especialmente com a base deveria salvar no seu “Favoritos”.
Boa leitura.
Para o fim das peneiras: esboços preliminares de proposta de seleção para o processo de especialização
Mais importante do que ser habilidoso com a bola nos pés ou ser grande e forte, é compreender o processo organizacional sistêmico dos jogos
Alcides Scaglia
alcides@universidadedofutebol.com.br
Diferentemente das famosas “peneiras” de jogadores, as quais partem da ideia de que se pode encontrar jogadores prontos (reformando a já refutada tese inatista do talento nato – jogador com dom para jogar futebol), acredito que uma seletiva deve se pautar num processo (o mais contínuo possível) que permita a detecção de potenciais jogadores inteligentes.
O macro conceito de potenciais jogadores se refere ao fato destes entenderem o jogo. Ou seja, num processo seletivo, mais importante que ser habilidoso com a bola nos pés ou ser grande e forte (maturação precoce), é preciso demonstrar que adquiriu, pelo menos inicialmente, a competência de compreender o processo organizacional sistêmico dos jogos.
Desse modo, penso que para compreender (entender) o jogo certa quantidade de competências essenciais são requeridas e, ao mesmo tempo, um leque de habilidades são esperadas. Como por exemplo:
- Competência para organizar o jogo (quer seja ele pequeno, médio ou grande);
- Competência de adaptação constante e rápida às mudanças requeridas;
- Competência interpretativa.
Para efetiva materialização dessas competências, podemos destacar algumas habilidades (vinculadas também à personalidades individuais):
- Habilidade de tomar iniciativa (tomada de decisão);
- Habilidade de concentração e atenção;
- Habilidade na comunicação não verbal para jogo coletivo;
- Habilidade em sua relação com a bola;
- Habilidade para jogar coletivamente;
- Habilidade no que tange controle emocional (espírito competitivo).
Importante destacar que todo jogador deveria apresentar seu “currículo”, na forma de preenchimento de um questionário apresentado na inscrição. Este questionário visa a alimentar de informações o avaliador, a ponto de objetivar sua avaliação.
Vale destacar que o processo seletivo não deve ser feito por apenas um avaliador, mas por um grupo, que se responsabilizará por um dos jogos do processo, levantando informações sobre cada um dos jogadores. E ao final do processo esses dados devem ser cruzados de forma a obter (almejar) uma sintonia na avaliação.
Já no que tange a operacionalização do processo seletivo, é preciso ter por referências a idade dos jogadores, pois é dela que dependerá a seleção dos jogos e os objetivos mais específicos exigidos em cada uma das etapas do processo de especialização no futebol. Por exemplo, numa seletiva de meninos menores de 12 anos, teremos um número maior de pequenos e médios jogos do que grandes jogos, contrariamente do que se organiza para um processo seletivo de jogadores menores que 17 anos.
Portanto, para desenrolar do processo seletivo é interessante que se estruture pelos menos quatro jogos (entre pequenos, médios e grandes jogos) na forma de circuito, sendo que em cada estação um ou dois avaliadores fazem apontamento individuais sobre as competências e habilidades requeridas (descritas acima) em consonância com as requisitadas em cada jogo (pequenos, médios e grandes jogos), para depois, em uma reunião realizar a análise cruzada das informações.
Estas idéias são para mim, como esboços preliminares para a construção de um efetivo e eficiente processo de seleção, que não caia nos chavões atuais e muito menos na mediocridade das peneiras.
Para interagir com o autor: alcides@universidadedofutebol.com.br
O técnico do infantil timbu, Márcio Galupo, é um daqueles casos em que o futebol parece ter contaminado o seu sangue.
O zagueirão da Ponte Preta, Bragantino e Caldense pendurou as chuteiras em 1998.
Trocou o campo pelo campus universitário, onde concluiu o curso de Administração.
Seria o primeiro passo para não mais depender da bola para sobreviver. Seria.
Até buscar uma pós-graduação em advinhem o quê? Gestão Esportiva. Foi o primeiro passo para voltar ao futebol.
“Futebol parece uma coisa que fica no sangue da pessoa. Num tem como não ser contaminado”, explica.
Logo vieram os cursos de formação para treinador. Um no Rio, outro em São Paulo.
O encontro com um jogador da sua época abriu portas.
“Caio Júnior era técnico do Palmeiras e me levou para fazer um estágio no profissional”, lembra.
Foram quatro meses no CT do Verdão.
Logo depois, surgiu a oportunidade de estagiar na base do São Paulo.
Veio então o curso da CBF de qualificação para trabalhar com as divisões de amadoras.
“Terminei virando observador técnico da CBF, viajando por alguns estados para acompanhar alguns garotos”, conta.
Em 2007, Márcio entrou no Náutico.
Ele tinha proposta para assumir o sub-15 do Paulista, mas preferiu aceitar o convite para ser assistente de Leivinha nos juniores timbu.
Em 2008, passou pelo sub-15 antes de começar no sub-17. Foi campeão do Aberto Juvenil.
Quarta-feira, Márcio Galupo inicia luta pelo bi.
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