Voltando à seção Copa do Mundo, uma história curiosa que mostra uma penca de coisas.
Entre elas, a superinflação nas transações dos atletas e a maneira como o garoto local era desprezado.
Digo “era” porque o atleta em questão já havia mostrado um enorme potencial nos profissionais.
O menino, por mais promessa que seja na base, segue sofrendo um enorme desprezo em Pernambuco.
Vamos à história. Em 1997, o Porto fazia um excelente campeonato estadual e terminava a competição em segundo.
Destaques do time: o volante Josué, o lateral esquerdo Marquinhos e o atacante Araújo.
Todos recém-saídos da base do Ninho do Gavião, em Caruaru.
Josué tinha apenas 17 anos de idade durante o Pernambucano.
O Sport, único representante local na Série A, e que havia acabado de conquistar o bi do primeiro penta, cresceu o olho.
O trio foi oferecido ao Leão por R$ 100 mil. Palavras do dirigente do Sport Antônio Alves de Melo:
“Eles (o pessoal do Porto) querem vender mais caro porque é pra o Sport. Se fosse pra um clube de fora eles negociariam mais baixo”.
Palavras que foram ouvidas pelo blogueiro que escreve estas linhas na época em que era setorista do Sport pelo Diario de Pernambuco.
Antônio Alves de Melo se fez de doce. O Goiás agradeceu e não titubeou. Levou o trio para Goiânia.
Mesmo considerando que se passaram 13 anos, R$ 100 mil era uma pechincha.
Uma promoção do tipo: leve três e pague por dois.
Resumindo, o Goiás transformou R$ 100 mil em alguns milhões.
Dos três, apenas Marquinhos não estourou, embora tenha vivido boa fase em Goiânia antes de entrar em decadência.
Araújo, ainda no Goiás, chegou a ser convocado para a seleção brasileira. Foi negociado para o Japão um pouco depois.
Josué foi para o São Paulo e depois para o Wolfsburg, onde está até hoje.
Quantas histórias já ouvimos de atletas que foram contratados em troca de pares de chuteiras?
Num passado bem recente, o único pernambucano que vai à Copa da África do Sul era desprezado por causa de alguns tostões.
Agora com direito de treinar duas vezes por semana no CT que seria do clube, o Timbuzinho se prepara para disputar uma baita competição.
Trata-se da Copa 2 de Julho, que acontecerá entre 14 e 25 de julho, na Bahia. O torneio tem status de Brasileiro sub-17.
A participação alvirrubra foi confirmada por convite, uma vez que o Ceará desistiu de participar.
Um parêntese: fica evidente que falta investimento na estrutura da base também em campo cearense.
Ter direito de participar de um torneio deste e abrir mão é demais.
Pelo lado de cá, a situação não muda muito. Não fosse o empenho do técnico Márcio Galupo e do coordenador da base Kuki…
Inclusive, toda ajuda que vier de torcedores e empresários alvirrubros será em excelente hora. Até por que o ônibus da base quebrou.
Copa 2 de Julho
Bom, vamos à competição. 36 equipes participam da Copa, entre elas a seleção brasileira e a paraguaia, Boca Juniors e River Plate.
Elas serão distribuídas em seis grupos. Estarão automaticamente classificados os primeiros de cada grupo.
Os dois melhores segundos colocados também passam à fase seguinte, quando começa a fase do mata-mata.
A competição terá transmissão da Sportv.
Sobre o time timbu, o técnico Márcio Galupo vem tentando suprir os desfalques de algumas peças que foram destaque no Aberto.
Para a vaga do goleirão Mano, veio Édson, reserva do Vitória, da Bahia.
Sem chance no time baiano, o goleiro preferiu vir mostrar serviço nos Aflitos.
Embora com uma história de vida fantástica, pouco ou nada se tem falado da trajetória do atacante Grafite desde a sua convocação.
A grande imprensa tem pisado feio na bola – a nacional e a local.
Então, vamos a ela: Grafite chegou ao Santa Cruz em 2001, com 22 anos. Na época, o Santinha disputava a Série A.
Ele nunca havia passado por uma divisão de base.
Tinha que trabalhar como vendedor de saco de lixo, em Jundiaí, para ajudar a sustentar a família.
Só aos 20 anos conseguiu chance no time de Campo Limpo, sua cidade natal, na quinta divisão paulista.
Passou por Ferroviária e Matonense, clube que tinha os seus direitos federativos.
O começo no Santa foi sofrível. O grandalhão tinha força, bom domínio de bola, mas perdia gols feitos.
Logo foi pego para cristo pela torcida. Chegou a ser agredido (e revidou) por um torcedor que invadiu o gramado.
Após assistir à agressão pela tevê, sua mãe chegou a lhe telefonar e pedir cuidado quando saísse nas ruas do Recife.
Com a chegada de Muricy Ramalho, Grafite começou a escrever uma outra história no Arruda.
O técnico realizou muitos treinos específicos de finalização com o atacante, tentando minimizar a sua falta de base.
Questionado por que estava dando tanta atenção àquele garoto, o hoje treinador do Fluminense dizia:
“Ele tem um potencial enorme. Se corrigir algumas deficiências será um grande atacante”.
Grafite desencantou e foi destaque de um time fraco e com muitas laranjas podres no grupo.
Despertou interesse do Grêmio e trocou o Arruda pelo Olímpico. Daí pra frente a história dele é conhecida de todos.
Em 2001, cobria o Santa pelo Diario de Pernambuco e, assim como ainda hoje, escrevo para a Placar.
Fiz uma reportagem sobre Grafite na fase que a revista era semanal.
A matéria ganhou uma capa regional com o título Pintou o Sete (camisa que vestia no Santa).
É uma história de vida e tanto, não?
Espero que vire pauta para a grande mídia.
O Sport jogou com o regulamento na mão e conquistou o título do estadual de juniores neste fim de semana com o empate em 0×0 com o Vitória, na Ilha do Retiro.
Como havia derrotado o tricolor das Tabocas no Carneirão (2×0), o Leãozinho podia até perder por um gol de diferença que ainda assim ficava com o título.
A chamada sorte de campeão estava, lógico, do lado rubro-negro. Tanto que o bom time do Vitória teve uma chance sensacional de abrir o placar na cobrança de um pênalti. Mas bola foi na trave.
Apesar do excelente trabalho de base que está sendo feito no Vitória, o troféu não poderia ter ido parar em melhores mãos.
O Sport reinou na liderança durante quase toda a fase classificatória. Melhor campanha indiscutível.
Parabéns aos meninos da Ilha.
Prevaleceu a campanha, a melhor estrutura e qualidade técnica.
O embalado e promissor time de juniores do Vitória não conseguiu segurar o Sport na primeira partida da decisão do estadual.
Mesmo jogando em Vitória de Santo Antão, o Leãozinho se impôs diante do tricolor das Tabocas e venceu por 2 x 0.
O resultado deixa os rubro-negros a um empate, ou até mesmo uma derrota por um gol de diferença, do título pernambucano.
O jogo de volta acontece no domingo, às 15h, na Ilha do Retiro.
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- Gustavo Costa: Realmente esta não deu p/entender. Site direcionado especificamente para categorias de base. vai...
- nininho: logo qnd o pernambucano infantil e juvenil começa? deixarei de acompanhar o site….. muito fraco
- adriano pereia gomes: bela campanha do timbuzinho fazendo historia na nossa região,e quando começa o pernambucano?
- pedro antonio: o nautico vai pegar nesta terça feira as 1530hs o sao paulo fc. abraços
- pedro antonio: é realmente vcs da base tem todas as razoes os clubes de pernambuco nao investe nas divisoes de base...





